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A Moral Deles e A Nossa - Trotsky e a Moralidade Universal Absoluta

Frase: 

“[...] quem não está satisfeito com misturas ecléticas, deve reconhecer que a moral é produto do desenvolvimento social; que ela nada tem de imutável; que serve aos interesses da sociedade; que esses interesses são contraditórios; que, mais do que qualquer outra forma de ideologia, a moral tem o caráter de classe.

-Preceitos Morais Obrigatórios para Todos”


Immanuel Kant, quando falou acerca da Moral, apresentou o Imperativo Categórico, que nada mais é que uma moral categórica e obrigatória universalmente. Comportamentos sociais que devem transcender culturas, e ser universal, servindo as necessidades sociais de socialização mais moralista possível. Ele defendeu que a moral universal absoluta é necessária pra agregar valores e bons costumes.


Trotsky, em resposta a perseguição aos bolcheviques por Stalin e stalinistas, que segundo Trotsky, não seguiam uma ação totalmente revolucionária por criarem em líderes "lendas endeusadas" e por adotarem moral, ficando cego contra suas próprias atitudes, comentou sobre a filosofia kantiana e que uma moral é totalmente burguesa, pois vai servir aos interesses da burguesia, ou seja, da classe dominante, para a continuação dessa dominação e opressão contra a classe proletária, os trabalhadores. Que pela sociedade estar submetidas a hegemonia de ideologia e cultura da classe dominante burguesa, a dita "moral" vai servir como uma instituição alienante e opressora, vai determinar também comportamentos que devem ser seguidos para a continuação conveniente pelo "bom costume".


Trotsky diz que as ações violentas de um senhor de escravos, que aprisiona e oprime seu escravo, vai se equivaler as ações de um escravo contra seu senhor, pelo também violência, para sua própria libertação, caso exista essa "moral absoluta". Isso se dá para que o escravo seja ainda criminalizado por responder à opressão de modo a se libertar.


Afirma ele também neste livro, que a alienação se dará de forma mais generalizada pelo dogma religioso, e pelos lideres políticos ególatras.


É importante notar que ele diz que toda ação, mesmo que socialmente imoral, se der a emancipação ao proletariado, e suceder uma revolução, está justificada. Os fins vão justificar os meios, se também os fins forem justificados. Assassinatos, mentira e qualquer outra ação, se forem meios necessários para serão então feitos e não vão contaria o sendo heróico revolucionário. Ser revolucionário é ser amoral e ir contra a dita moral. É não ter moralidade, é não haver empecilhos para a emancipação proletária, que só será entendida pelo materialismo histórico e dialético e pela consciência de classe. 


Livro: A Moral Deles e A Nossa, Leon Trotsky.

 

Comentários

  1. Interessante perceber que essa mesma moral revolucionária pode ser utilizada pela burguesia para justificar qualquer ataque contra a emancipação proletária simplesmente afirmando que ELES são os verdadeiros revolucionários, combatendo um proletariado que insiste em seguir dogmas religiosos ou princípios morais.

    Só isso explica a defesa veemente do marxismo revolucionário por partes cada vez mais altas da alta burguesia.

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